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A programação da próxima temporada foi ontem anunciada. Entre música, dança e teatro, há mais de 100 eventos à escolha.

Ao todo, são quase 150 espectáculos, distribuídos por pouco mais de 330 dias, de Setembro de 2009 a Julho de 2010. O Centro Cultural de Belém divulgou ontem a programação para a próxima temporada, que representa um investimento de 2,9 milhões de euros. Agora, pegue na agenda e comece a reservar os dias. O i seleccionou dez espectáculos imperdíveis e explica-lhe porquê. Saiba ainda que, além dos concertos de música erudita, ópera ou jazz, dos espectáculos de dança e de teatro, nesta temporada mantêm-se os eventos que começam a tornar-se imagens de marca da casa: os Dias da Música em Belém e a Lisbon Jazz Summer School, que traz orquestras do estrangeiro para darem formação a jovens.

1. MÚSICASteve Reich and Bang On a Can, 1 de Novembro

Cinco razões para ir ouvir Steve Reich: 1 – o compositor de 72 anos é um dos pioneiros da música minimalista; 2 – é considerado o maior compositor norte-americano vivo e, de acordo com o jornal “The Guardian”, um dos poucos que podem reclamar ter alterado a história da música; 3 – acaba de ganhar o Prémio Pulitzer por “Double Sextet”, peça interpretada por seis músicos contra uma gravação deles próprios; 4 – actua no CCB com o enérgico e apaixonado grupo de vanguarda Bang on a Can All-Stars, famoso pelos concertos-maratona de mais de 20 horas; 5 – juntos vão interpretar clássicos como “Clapping Music” (1972) e “Music For Pieces of Wood” (1973).

2. ÓPERA Lo Frate Nnamorato de G. B. Pergolesi, 20 a 22 de Novembro

O velho e rico burguês Carlo quer se casar com a jovem Lucrezia, que por sua vez está apaixonada pelo enteado do pai, Ascano. Pior: as netas de Carlo, que deviam casar-se com o pai e com o irmão de Lucrezia, também estão perdidas de amores por Ascano – que, ainda por cima (sabe-se mais tarde), é irmão delas. Esta confusão, que também podia ser um alerta contra os casamentos arranjados, serve de base à primeira incursão do italiano Pergolesi na ópera cómica. No dia a seguir à estreia, em 1732, um terramoto sacudiu Nápoles e fechou todos os teatros. Quase 300 anos depois, os Músicos do Tejo arriscam levar à cena “Lo Frate Nnamorato”.

3. MÚSICA Viagem de Inverno, de Franz Schubert, por Maria João Pires e Rufus Müller, 16 de Janeiro

Neste monólogo de 24 canções para piano e voz (tenor) um poeta chora a perda da amada. Enquanto caminha pela neve, enregelado, recorda de forma obsessiva os momentos de felicidade que viveu. “Winterreise” ou “Viagem de Inverno” é a obra maior de Franz Schubert. O compositor austríaco terminou-a em 1827, um ano antes de morrer. Sobe ao palco de Grande Auditório interpretada pela pianista Maria João Pires e pelo tenor inglês Rufus Müller.

4. DANÇA Sutra, de Sidi Larbi Cherkaoui, 22 e 23 de Janeiro

O termo “sutra” tem várias traduções, consoante o contexto. No budismo refere-se às escrituras canónicas, vistas como registos da palavra de Buda. O coreógrafo belga de origem marroquina Cherkaoui visitou o templo de Shaolin na China e passou vários meses a trabalhar com os monges. Impressionado com a sua força, técnica e espiritualidade criou “Sutra”. Este espectáculo poderoso conta ainda com a colaboração do cenógrafo vencedor do Turner Prize, Antony Gormley e com a belíssima música do polaco Szymon Brzóska.

5. JAZZ Jason Moran, Chris Cheek, Orquestra Jazz de Matosinhos, Orquestra Nacional do Porto, Carlos Azevedo, Ohad Talmor, 26 de Fevereiro

Aprende-se na matemática elementar que o todo é igual à soma das partes. Dia 26 de Fevereiro, quando os conceituados solistas e improvisadores Jason Moran (piano) e Chris Cheek (saxofone) subirem ao palco do Grande Auditório, espera-se que seja muito superior. Esta reunião de família assinala a primeira parceria entre o CCB e a Casa da Música, no Porto. E é quase seguro que o número de pessoas em palco vai bater um recorde qualquer.

6. DANÇA Local Geographic, Rui Horta, 11 a 16 de Maio

Pela primeira vez em 25 anos, o coreógrafo de 52 vai subir ao palco. O motivo: “um passeio de bicicleta”, disse, uma reflexão sobre a identidade sob a forma de viagem interior e exterior. Por outras palavras, “Local Geographic”, a última de três obras que apresenta esta temporada no CCB na qualidade de artista convidado. As outras duas são “Talk Show/Até se Apagar o Corpo” (15 a 18 de Outubro) e “As lágrimas de Saladino (5 e 6 de Março).

7. FADO Fados à Conversa, 16, 23, 30 de Maio e 6 de Junho

Silêncio, que se vai falar de fado. O pressuposto é simples: ir a um concerto na companhia de um conhecedor muda a forma como o apreciamos. Neste caso, é um luxo. Irmão, filho, neto e bisneto de fadistas, o também fadista Hélder Moutinho propõe quatro concertos transgeracionais para falar sobre a história do fado. A saber: José Fontes Rocha e Joana Amendoeira (separados por 60 anos de vida); Ricardo Parreira, de 23 anos, com Fernando Alvim, que tocou com Carlos Paredes e Vinicius de Moraes; Joaquim Teles e Marco Oliveira, dois virtuosos da guitarra portuguesa; e Rodrigo, representante do fado tradicional.

8. DANÇA A Sagração da Primavera de Igor Stravinsky, coreografia de Olga Roriz, 29 de Maio a 3 de Junho

“A sagração é um desafio, um risco, um precipício no abismo”, diz a coreógrafa Olga Roriz. “Chegou o louco momento de me atirar com toda a minha paixão.” No mesmo dia em que há 96 anos o russo Stravinsky estreava em Paris “A Sagração da Primavera”, a portuguesa apresenta a sua visão sobre a obra do compositor.

9. MÚSICA Carta branca a Fausto Bordalo Dias, 19 de Junho

Depois de Jorge Palma e de Camané, chegou a vez de Fausto receber carta branca do CCB. O cantor respondeu com um número de sorte – 21 – e a sua triologia pela diáspora portuguesa. Dia 19 de Junho, o Grande Auditório vai viajar ao som de sete temas de “Por este Rio Acima” (1982), outros sete de “Crónicas da Terra Ardente” (1994) e ainda mais sete do novo álbum do cantor, que ainda não tem título.

10. TEATRO Sonho de uma Noite de Verão, pelo Teatro Praga, datas a anunciar

Shakespeare, catástrofe e western spaghetti. Só falta citar o Teatro Praga e dizer: “Mandem vir a nave espacial.” As três peças que a companhia residente desta temporada propõe não têm um denominador comum, mas fazem parte da mesma equação: a proposta de um novo modelo de sociedade em busca de uma nova ética. Entre 30 de Setembro e 5 de Outubro levam à cena “Padam Padam”. Segue-se “Oil Ain?t All, J.R.”, de 23 a 30 de Março. Por fim “Sonho de Uma Noite de Verão”, a partir do clássico de Shakespeare e do epílogo musical que Henry Purcell compôs.

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